A grande farra consumista desencadeada a partir da Revolução Industrial, potencializada com o avanço tecnológico dos meios de produção e a globalização vão custar caro ao Planeta que nos abriga. A poluição dos mares e rios, devastamento das florestas, saturação do ár com gases nocivos a saude planetária irão certamente desencadear mudanças climaticas brutas, tranformando a configuração atual do planeta e trazendo consequencias desastrosas para todas as especies que habitam o Planeta Terra.
Nesse texto, iremos propor uma nova configuração para a publicidade e também uma visão politica e social que remeta a sustentabilidade*. Apontaremos algumas das diversas razões que impedem o consumismo de continuar crescendo e sendo exposto nos meios de comunicação de massa, através da publicidade predatória.
Quando citarmos “ética” estaremos definindo-a como conduta verdadeira, um conjunto de normas que visa o bem acima de tudo.
* Sustentabilidade pode ser definida de diversas formas mas remete a uma unica idéia de atender ás necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atender as próprias necessidades.
Segunda Parte:
Modelo atual da publicidade:
O modelo padrão da publicidade é extrememente malicioso por conseguir atrair o desejo humano para si, para os produtos que desejam vender. Atualmente estamos acustumados a assistir publicidade agressivas quase que o tempo todo e em todo lugar da mesma forma, é um padrão só, um publico só, você!
A publicidade é apenas um canal de todo o sistema baseado no consumismo, não é a vilã principal da busca incessante para o lucro, mas é o canal que liga os interesses dos acionistas das grandes multinacionais a todas as pessoas, através dos meios de comunicação.
Sociedade do consumo:
Nossa sociedade é chamada de “sociedade do consumo” porque consumir se tornou uma atividade cotidiana que foi além da suposta idéia inicial de satisfazer necessidades para se tornar uma doença global.
O consumismo não existiria sem a publicidade, ferramenta fundamental para influenciar padrões de consumo, formar estilos de vida, e “ser alguém”passa a estar associado a posse de determinados produtos e/ou ao uso de determinados serviços. Tudo que consumimos gera residuos que podem ser absorvidos pela natureza, assim foi por milhares de anos, mas após a revolução industrial a imensa quantidade de lixo gerada pelo consumismo ultrapassou em muito a capacidade do planeta de absorver os residuos gerados pelo homem. Ano após ano a produção fora impulcionada pela ganância de muitos e hoje nos encontramos em um mundo em crise. André Trigueiro, em seu livro “Mundo Sustentável” resume bem o que um modelo sustentável necessita: “Sustentabilidade requer coragem, porque estamos falando de uma nova cultura politica, de um novo modelo de gestão e de novos parâmetros para o desenvolvimento”. Mudanças em todos os campos serão necessárias.
Segundo definição em dicionário consumir significa:
Fazer desaparecer pelo uso ou gasto.
Gastar; devorar; destruir.
Corroer; apagar (com o tempo).
Comer; beber.
Dissipar.
Fig. Mortificar, ralar.
Relig. catól. Comungar (falando da hóstia).
Publicidade enganosa ou abusiva – O que diz a lei
Artigo 37 do código de defesa do consumidor (Lei 8.078/90)
1. “ é enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de carater publicitário interira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir a erro o consumidor a respeito da natureza, caracteristicas, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.”
2. “ É abusiva a publicidade discriminatória de qualquer natureza, que incite a violência, explore o medo e a supertição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeite valores ambientais ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança.”
A lei acima é bem clara quanto as restrições a publicidade em território nacional, porém não é aplicada. A publicidade infantil desperta desejos incontroláveis nas crianças, de modo que vão fazer de tudo que seja possivel para conseguir suprir os desejos incitados pela publicidade. Por exemplo, uma criança que assistira a um determinado programa ou comercial que deseja despertar nos telespectadores a vontade de consumir o que está sendo exibido, como um carro usado pelo super herói que encontra-se disponivel como brinquedo nas lojas, irá pedir aos pais para que comprem tal produto. Muitos dos Pais não tem condição financeira para bancar o sonho de consumo das crianças, o que causará desapontamento da criança junto aos pais, pois crianças não julgam ou tem experiência para julgar quanto relevante é possuir tal produto. Essa criança que teve sua vontade renegada irá pedir para quem puder, tia, irmão, avós que compre o produto e caso não consiga obtê-lo irá ficar descontente com sua situação causando distúrbios familiares que podem se complicar gerando graves crises da familia, fenômeno cada vez mais comum na sociedade atual. A publicidade infantil é um crime contra a ética por ser covarde e formadora de opiniões . A publicidade infantil visa incentivar a criança a cobrar consumo aos pais de maneira automática, não tendo capacidade de refletir aos impulsos externos, principal“ É abusiva a publicidade discriminatória de qualquer natureza, que incite a violência, explore o medo e a supertição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança mente os de origem predatória, que visam capturar e atrair consumidores.
É importante atentar o trecho da lei citada acima que proibe a publicidade “capaz de induzir a erro o consumidor a respeito da natureza, caracteristicas, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.” Não é citado a criação de valores inalcançaveis, o maior recurso da publicidade, que traz o consumidor para si agindo como um “imã” no imaginário. A lei se refere apenas a natureza, caracteristicas, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. O recurso então pode ser usado livremente. Esse “recurso” é o que incita o consumo indiscriminado e consequentemente a degradação do meio ambiente. A lei deve estar atenta aos interesses do meio ambiente a frente dos interesses humanos, pois somos uma espécie que depende do planeta, sua vitalidade trará sustento a todos, enquanto haja respeito do ser humano ao planeta.
“ É abusiva a publicidade discriminatória de qualquer natureza, que incite a violência, explore o medo e a supertição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança…” Nota-se que a lei claramente não é cumprida, pois é sábio que os desejos das crianças quando estimulados irão atender rapidamente ao apelo, aproveitando-se da dificuldade de julgar e falta de experiência da criança para com a publicidade. É uma falha grave, que cria potenciais consumidores desenfreados para o futuro.
Um modelo diferente para publicidade:
Se é clara a função da publicidade de disseminar as idéias consumistas porque não propor a aplicação da ética verdadeira, diferente da atual agência reguladora brasileira que é comandada pelos próprios publicitários, que inibe apenas o que lhe convém, serve apenas como uma falsa imagem de ética.
A publicidade ética, que respeite o homem, deve apenas descrever os produtos sem agregar falsos valores, muitas vezes ilusórios. Tem muitos comercias que criam fantasias a cerca de uma vida feliz e repleta de bens materias e não apresentam nada sobre o produto! A publicidade deve restringir-se a apresentação das caracteristicas do produto sem fantasiar. Isso não significa que deve ser reprimida, sem o direito de expressar criatividade. A criatividade não está presente na Publicidade, são usadas ferramentas padrões para construção das grandes propagandas, são sempre a mesma coisa, agindo no imaginário humano através da fantasia de valores que podem ser adquiridos no produto ou serviço. É ético criar fantasias e agregar valores inatingíveis em um produto ou serviço? Será que a moiria dos profissionais de comunicação tem consciência do trabalho que fazem? Ambas as respostas são negativas. Um novo modelo publicitário, que seja fiel as limitações do produto/serviço, precisam de profissionais capacitados intelectualmente, para que possam conduzir o consumidor a uma justa interpretação, não fictícia, que mostre aquilo como realmente é. Os consumidores irão julgar a qualidade do produto entre si, sem a necessidade do apelo publicitario para formar opiniões e assim os produtos justos, que respeitem as fraquezas do desejo,surgirão. Trata-se de um longo processo, que envolve um recondicionamento social, poltico, ecônomico e acima de tudo mental. Sem consumidores atentos as premissas basicas da vida, que integra tudo em uma coisa só, homem como amigo da natureza, essa reformulação do consumo não pode ser alcançada com total êxito.
Conclusão e Soluções:
A publicidade precisa mudar de padrão para contribuir com a vida. O consumismo degrada o meio ambiente. Parar de usar tecnicas de persuação que fogem a realidade de muitos individuos significa diminuir o consumo não pensado, diminuindo esse consumo diminui-se a carga de poluentes para o planeta. Para se ter idéia, se cada ser humano vivesse com o mesmo padrão de vida de um norte- americano, seriam necessários mais de 4 planetas para satisfazer todos os “desejos” da sociedade(matéria-prima e fontes de energia). O impacto desse consumo desenfreado através do modelo de publicidade atual colocou o mundo em crise, causando uma preocupação da sociedade com o meio ambiente. Os publicitários devem focar suas propagandas no produto e suas caracteristicas, agregar ilusões de beleza e felicidade a produtos é inaceitável, não desenfrear o consumo é colocar o mundo em xeque.
Bigjungle